Os Correios vão aceitar a partir desta terça-feira o envio gratuito de bens essenciais para fazer face à tragédia que assolou a Madeira, no último fim-de-semana.
A caixa solidária está disponível em todas as 900 estações de correios do país. As pessoas que queiram ajudar os madeirenses têm apenas de pedir uma destas caixas no balcão dos CTT e escrever a palavra «MADEIRA» no espaço do destinatário, sendo que a encomenda está livre de qualquer imposto de selo.
A população madeirense necessita de lençóis, cobertores, mantas, almofadas, roupa interior masculina, feminina e infantil, roupa em geral, produtos de higiene, fraldas, leite em pó, comida para bebé e enlatados.
As caixas solidárias vão chegar à Caritas da Madeira que, por sua vez, tratará de gerir os bens oferecidos, tendo em conta os pedidos de ajuda. O apoio reverterá também para outras instituições como a Associação Protectora dos Pobres, a Delegação Regional ds Abraço no Funchal, a ADENORMA (Associação para o Desenvolvimento da Costa Norte da Madeira) e o núcleo regional da ACREDITAR (Associação de Pais e Amigos das Crianças com Cancro), na Madeira.
A campanha está integrada no Projecto de Luta contra a Pobreza e a Exclusão Social, promovido pelos CTT. O projecto incentiva qualquer cidadão a praticar boas acções, ao poder enviar, sem custos, bens essenciais para cerca de 30 instituições de solidariedade social.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
face centésima sexagésima primeira - Ajuda a AMI a ajudar a Madeira
AMI lança campanha de emergência para a Madeira
A AMI inicia hoje campanha de recolha de fundos para missão de emergência na Madeira, disponibilizando, desde já, 50 mil euros para primeiros trabalhos de auxílio às vítimas das chuvas torrenciais que atingiram a Ilha.
A decisão de avançar com uma missão de emergência surge hoje na sequência da visita à Madeira do presidente da AMI, onde, depois de analisar a situação no terreno, reuniu com responsáveis autárquicos e com a delegação no Funchal.
Os donativos podem ser depositados na conta Emergência Madeira:
NIB: 0007 001 500 400 000 00672
Multibanco: Entidade 20 909 Refª 909 909 909
IBAN: PT 50 0007 001 500 400 000 00672
SWITF: BES CPTPL
A AMI, através do Centro Porta Amiga do Funchal, já se encontra a auxiliar os desalojados desde domingo, com a entrega de roupa de cama, de banho, vestuário e calçado e refeições quentes e alimentos básicos. Por outro lado, ao nível dos recursos humanos, a ONG portuguesa respondeu afirmativamente ao apelo efectuado pela Secretaria de Estado da Segurança Social com dois voluntários para trabalhos de acção social e apoio psicológico.
Recorde-se que a AMI tem vindo a actuar na Madeira há mais de uma década. Desde a abertura em 1997 e até ao ano passado, o Centro Porta Amiga do Funchal prestou auxílio social a mais de 3 380 pessoas.
Gabinete de Imprensa
Lisboa, 23 de Janeiro de 2010
A AMI inicia hoje campanha de recolha de fundos para missão de emergência na Madeira, disponibilizando, desde já, 50 mil euros para primeiros trabalhos de auxílio às vítimas das chuvas torrenciais que atingiram a Ilha.
A decisão de avançar com uma missão de emergência surge hoje na sequência da visita à Madeira do presidente da AMI, onde, depois de analisar a situação no terreno, reuniu com responsáveis autárquicos e com a delegação no Funchal.
Os donativos podem ser depositados na conta Emergência Madeira:
NIB: 0007 001 500 400 000 00672
Multibanco: Entidade 20 909 Refª 909 909 909
IBAN: PT 50 0007 001 500 400 000 00672
SWITF: BES CPTPL
A AMI, através do Centro Porta Amiga do Funchal, já se encontra a auxiliar os desalojados desde domingo, com a entrega de roupa de cama, de banho, vestuário e calçado e refeições quentes e alimentos básicos. Por outro lado, ao nível dos recursos humanos, a ONG portuguesa respondeu afirmativamente ao apelo efectuado pela Secretaria de Estado da Segurança Social com dois voluntários para trabalhos de acção social e apoio psicológico.
Recorde-se que a AMI tem vindo a actuar na Madeira há mais de uma década. Desde a abertura em 1997 e até ao ano passado, o Centro Porta Amiga do Funchal prestou auxílio social a mais de 3 380 pessoas.
Gabinete de Imprensa
Lisboa, 23 de Janeiro de 2010
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
face centésima sexagésima- Prevenção ou premonição?
No passado dia 13 de Janeiro, a RTP-Madeira passava uma reportagem sobre a prevenção de enxurradas e deslizamentos de terras causadas por fortes precipitações.
Fala-se nesta peça sobre mapas de risco (que não foram feitos), responsabilidades declinadas por parte do Governo Regional, muitas teorias de previsão de chuvas torrenciais e demasiado protagonismo. A reportagem tem por base o acontecimento de 1993, onde morreram 5 pessoas e houve cerca de 200 desalojados.
Aprendemos alguma coisa? Uma semana depois, tivemos uma das maiores precipitações dos últimos tempo, com o resultado que está à vista (ou que pelo menos nos é dado a ver)...
Será que é desta que seremos capazes de abrir os olhos e agir?
Fala-se nesta peça sobre mapas de risco (que não foram feitos), responsabilidades declinadas por parte do Governo Regional, muitas teorias de previsão de chuvas torrenciais e demasiado protagonismo. A reportagem tem por base o acontecimento de 1993, onde morreram 5 pessoas e houve cerca de 200 desalojados.
Aprendemos alguma coisa? Uma semana depois, tivemos uma das maiores precipitações dos últimos tempo, com o resultado que está à vista (ou que pelo menos nos é dado a ver)...
Será que é desta que seremos capazes de abrir os olhos e agir?
sábado, 20 de fevereiro de 2010
face centésima quinquagésima nona- Acreditar em Portugal

19 de Fevereiro de 2010 / 20h00
Auditório do Padrão dos Descobrimentos
Belém - Lisboa
Portugueses,
Sou candidato a Presidente da República, impulsionado por imperativo moral, de consciência e de cidadania.
Portugal precisa de um Presidente que venha verdadeiramente da sociedade civil, que seja independente, que nada precise da política e que conheça bem o país e o mundo.
Nada tenho contra os partidos ou a democracia partidária, porque não existe outra. Mas sou contra o sufoco partidário da vida pública. Acredito, sincera e profundamente que um homem livre, só e independente, pode servir melhor o país, nesta altura tão difícil e sensível para Portugal. A magistratura suprapartidária do Presidente da República deve ser exercida sem demagogias, sem populismos, sem anti-corpos contra os partidos e os políticos.
Não peço nem pedirei nenhum apoio que não o dos cidadãos que se identifiquem com o meu projecto, e aceitarei de bom grado todos os que a minha consciência não rejeitar, não me enfeudando a nenhum …
A minha candidatura é, também, a candidatura dos que não tiveram voz até agora, dos que se desiludiram com a política, dos que acreditam que a política não se esgota nos políticos e não é a sua coutada privada. Não é uma candidatura neutral, é uma candidatura empenhada, que diz respeito a todos aqueles para quem o destino do país não é indiferente, e que acreditam que as mudanças indispensáveis podem, ainda, ser feitas dentro do quadro constitucional e institucional.
Sei que muitos pensam ou já pensaram muitas vezes o mesmo que eu, mas não acreditaram que valesse a pena este combate. Chegou a hora da grande, determinada e corajosa opção de actuar, de acreditar em Portugal. Chegou a hora de não continuar de fora, chegou a hora de travar as dúvidas e de combater a maledicência, chegou a hora da esperança e da confiança no nosso futuro colectivo. Portugal é uma questão que diz respeito a todos os portugueses: ninguém se pode eximir desse dever de cidadania indeclinável.
Sou democrata, patriota e com particular sensibilidade social e humanística. Tenho orgulho de ser português e, trago bem enraizadas em mim as marcas da multiculturalidade, da lusofonia e de uma profunda mundivivência.
Sou apartidário mas não apolítico. Tenho os meus valores e os meus princípios e não acredito num saco de gatos onde todos cabem. O meu espaço político, mais do que definido à esquerda, à direita ou ao centro, é o da liberdade, da justiça social, do humanismo, da ética, da solidariedade, da transparência na vida pública e da adequada, justa e indispensável função redistributiva do Estado, que abranja no que diz respeito aos deveres, e não apenas aos direitos, todos os cidadãos de todas as áreas do território nacional. Procurarei, assim, que a sociedade portuguesa e todas as suas instituições se libertem dos velhos paradigmas e passem a reconhecer o mérito, a premiar a excelência, e a recusar a impunidade.
Conhecendo os poderes presidenciais que a Constituição reserva ao Presidente, não tenho um programa político para a governação – tal compete ao Governo eleito – mas apenas um programa que constitui um compromisso moral intransigente, com o qual me comprometo e pelo qual responderei sempre perante os portugueses e Portugal.
Não usurparei nenhum poder que não me caiba pela Constituição, mas não prescindirei de exercer nenhum dos que me competem. Não serei factor de perturbação das instituições, mas sim garante da sua estabilidade e regular funcionamento, tal como manda a Constituição.
Não interferirei nem dificultarei a vida a qualquer Governo, mas não presidirei, de braços cruzados, ao desgoverno do país ou à degradação das suas condições de vida, da sua essencial coesão social, do seu desenvolvimento, da sua justiça, da sua democracia e da dignidade de Portugal.
Se for eleito Presidente, como espero, embora limitado aos poderes que a Constituição me confere, prestarei contas ao País sempre que necessário.
À luz que faço do mandato presidencial proponho-me:
1 - Lutar, promover e incentivar a regeneração ética da vida política do país. Todos os eleitos, todos os nomeados politicamente, estão ao serviço do país e têm de prestar contas, honrar as suas propostas, assumir as responsabilidades e deveres do cargo e as consequências dos seus actos. Serei intransigente a exigir de cada um o cumprimento das suas obrigações. Portugal espera de cada um que cumpra o seu dever. A todos exigirei o mesmo que exigirei a mim próprio: trabalho, cidadania, solidariedade e ética.
2 - Apoiar e incentivar todos os esforços do governo e da sociedade civil no caminho da justiça social em todos os sectores da vida dos cidadãos: na educação, na saúde, nas oportunidades de emprego, na criação de riqueza, na justiça fiscal, na promoção de condições de vida dignas. Estarei particularmente atento à situação dos desempregados e dos trabalhadores precários assim como ao futuro dos nossos jovens, à dignidade do fim da vida dos nossos idosos, às comunidades emigrantes e imigrantes, porque entendo que todos eles são essenciais a uma equilibrada e saudável coesão social nacional.
3 - Defender a soberania nacional, tal como compete ao Presidente, entendida num sentido amplo e concreto: a defesa dos seus recursos e riquezas naturais, do seu património histórico e natural, da língua, da cultura e do prestígio do seu nome no concerto das nações.
4 - Não pactuar com a situação trágica da justiça em Portugal. É privilégio e função primeira do Estado a aplicação da justiça, e um Estado que o não faz é um Estado que não tem justificação moral. Defenderei, pois, intransigentemente, a independência da Justiça, mas não aceitarei que o corporativismo, a ineficácia, a irresponsabilidade ou as justificações de circunstância neguem o direito de todos, por igual, à Justiça. Também na Educação, na Saúde, na Economia e na Defesa, é a Justiça que deve estar ao serviço das pessoas e do Estado e não o contrário.
Portugueses: Todos sabemos que Portugal não é um País rico e que a sua situação económica e financeira é hoje muito difícil. Não existem milagres nem soluções mágicas em tempo recorde. A minha tarefa será a de despertar, motivar e incentivar o espírito de cidadania em cada um dos portugueses: todos temos direitos, e todos temos deveres para com o país.
A missão - que já não pode mais ser adiada - de devolver a todos a fé na democracia, a esperança num país melhor e a confiança num país justo, cabe a todos e a cada um dos portugueses, e não apenas aos que governam e decidem.
Temos enormes potencialidades: uma lusofonia à dimensão do mundo, um mar com reservas inexploradas, jovens cientistas de craveira internacional e um povo ímpar, que foi dos poucos povos que marcou indelevelmente a História da Humanidade.
Assim, não acredito em nenhum fatalismo lusitano para que Portugal seja regularmente citado pelas piores razões.
Candidato-me, não apenas porque o imperativo da hora me impõe esse dever moral e cívico, mas, sobretudo, porque a tarefa de não nos conformarmos a assistir, sem nada fazer, à agonia lenta de Portugal é uma exigência dos que vêm a seguir – os nossos filhos e netos - que não podemos ignorar nem desiludir.
Estou consciente que esta será uma batalha difícil, talvez até invencível, mas não será nunca inútil: a luta contra a indiferença sempre foi e será a minha marca individual. A minha candidatura é, assim, uma questão de coerência para comigo próprio.
É HORA DE ACREDITAR EM PORTUGAL!
Agora e aqui, neste Padrão dos Descobrimentos, alicerçados na nossa História convido-vos a olhar para o futuro, destemidos e a trabalhar com perseverança e afinco para vencermos os novos adamastores que nos angustiam e amedrontam, e assim transformarmos os actuais “cabos das tormentas” em “novos cabos de esperança” que iluminarão Portugal.
Convido-vos a todos para esse combate em nome dos nossos filhos e netos.
Em nome da esperança,
Em nome do “Acreditar em Portugal”.
Viva Portugal!
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
face centésima quinquagésima oitava - Carlos Afonso Dias - Morreu um fotógrafo
Foi com um misto de surpresa e de tristeza que recebi a notícia da morte de Carlos Afonso Dias. Ontem nos jornais, mas principalmente nos circuitos das artes, e da fotografia em particular, era dado a conhecer o óbito deste admirador de Henri Cartier-Bresson.
Tive o prazer de conhecer este homem pessoalmente, um dia nos corredores do então INIP, e termos tido uma breve conversa sobre fotografia, a qual que me deixou fascinado! Principalmente porque tinha uma imagem do Eng. Afonso Dias completamente diferente!
Uns anos mais tarde (2008) visito uma exposição de fotografia, na Galeria PENTE 10, de um fotógrafo chamado Carlos Martinez Afonso Dias e fico maravilhado ao descobrir que este senhor era o Eng. Afonso Dias com quem tinha tido aquela breve conversa!

Perdeu-se mais 'um grande poeta', como o descreveu um dia José Manuel Rodrigues...
Tive o prazer de conhecer este homem pessoalmente, um dia nos corredores do então INIP, e termos tido uma breve conversa sobre fotografia, a qual que me deixou fascinado! Principalmente porque tinha uma imagem do Eng. Afonso Dias completamente diferente!
Uns anos mais tarde (2008) visito uma exposição de fotografia, na Galeria PENTE 10, de um fotógrafo chamado Carlos Martinez Afonso Dias e fico maravilhado ao descobrir que este senhor era o Eng. Afonso Dias com quem tinha tido aquela breve conversa!

Perdeu-se mais 'um grande poeta', como o descreveu um dia José Manuel Rodrigues...
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
face centésima quinquagésima sétima - Prevenção Rodoviária
A TAC - Transport Accident Comission, entidade responsável pela prevenção rodoviária na Austrália tem 20 anos de campanhas em spots televisivos e de cinema. Este é o da comemoraçãos dos 20 anos de actividade... cada video pode ser visionado aqui.
BRUTAL... mas por certo eficaz!
nota: imagens chocantes!
BRUTAL... mas por certo eficaz!
nota: imagens chocantes!
face centésima quinquagésima sexta - Guerras de Alecrim e Mangerona
Quando é necessário criar 'diversão' nada como um 'diz-que-disse' e tudo se centra em meia dúzia de actores (por sinal maus actores) e o 'povo, alimentado com o pão e animado com o circo' lá vai andando, sem aumentos nos salários, mas temos a selecção no Mundial!, sem grande poder de compra, mas ainda assim não estamos afinal a par com a Grécia (ou será que estamos?).
Enfim, mais uma comédia (ou será uma tragédia?)...
Aqui fica o guião...
O Fim da Linha
Mário Crespo
Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento.
O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa.
Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal.
Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o.
Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos.
Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados.
Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre.
Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009.
O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu.
O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”.
O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”.
Foi-se o “problema” que era o Director do Público.
Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu.
Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.
Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicado hoje (1/2/2010) na imprensa.
Enfim, mais uma comédia (ou será uma tragédia?)...
Aqui fica o guião...
O Fim da Linha
Mário Crespo
Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento.
O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa.
Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal.
Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o.
Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos.
Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados.
Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre.
Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009.
O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu.
O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”.
O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”.
Foi-se o “problema” que era o Director do Público.
Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu.
Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.
Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicado hoje (1/2/2010) na imprensa.
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