As viagens nos transportes públicos têm inúmeras histórias mas tudo depende de quem as vê e como as vê...Hoje no comboio entre o Cais do Sodré e Algés encontrei pela segunda vez o 'poeta da linha'. Não sei se algum dia lhe foi atribuído este epíteto, mas achei que é apropriado para alguém que percorre a carruagem durante o percurso referido a cumprimentar todos os passageiros com palavras amigas e surpreendendo alguns com pequenos versos, rimas ou até mesmo adivinhas!
De regresso ao ponto de partida pede esmola em jeito de desculpa, sai na estação de Algés e vai à sua vida! Hoje não tinha trocado e com mil desculpas justifiquei a minha 'falta'...
Fez-me recordar um sonho que tinha no meu tempo de adolescente em que imaginava recolher todos aqueles que pelas ruas da cidade e nos túneis do Metro tocavam acordeão, flauta, orgão ou outro instrumento musical e levava-os a gravarem todos juntos um disco... "Os sons da cidade pobre" era o título do trabalho musical que seria acompanhado de um pequeno livro com as histórias dos músicos! Muitos desapareceram e hoje são substituídos pelos seguidores da moda New Age ou por cães 'amestrados' que uivam e ladram ao som de uma sanfona desafinada...
Enfim, hoje temos a Operação Triunfo, os Ídolos e tantas outras portas abertas para aqueles que ousam enfrentar júri e público mostrando os seus talentos ao mundo... talvez um dia alguém repare nos sons da cidade pobre e sonhe com um CD e um livro de histórias!
Nota: a fotografia foi retirada do blog Catedral (http://catedral.weblog.com.pt/arquivo/035341)
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