quarta-feira, 19 de março de 2008

face vigésima quarta - Children see, children do



A Associação Australiana para a Prevenção contra o Abuso e o Abandono das Crianças, NAPCAN, lançou recentemente uma campanha na televisão e no cinema intitulada "Children See, Children Do".
Durante 90 segundos, este anúncio provocativo, mostra crianças a seguirem adultos e a imitarem os seus hábitos. Ao início o padrão parece ser inócuo, falar ao telemóvel enquanto se atravessa a praça da cidade, fazer uma chamada num telefone público, esperar atrás da linha amarela na estação do metro. O comportamento começa a ser mais insidioso quando uma rapariga copia os hábitos de uma mulher a fumar numa escada rolante. Um rapaz segue um adulto que descuidadamente derruba o saco que uma mulher transporta ao ombro. Vemos exemplos de lixo, excesso de álcool, agressividade ao volante, racismo e crueldade com os animais. Uma mulher que grita ao seu bébé, acompanhada pela sua filha mais velha, um homem acompanhado pelo seu filho numa atitude de agressão verbal e física perante a mulher.
Podia ser um filme de ficção (acho que o recentemente falecido Arthur C. Clarke nunca se lembraria de tal coisa nas suas escritas!), mas a verdade é que é tudo realidade, e quem lida com jovens vê todos os dias comportamentos idênticos! Neste tempo de globalização em que vivemos é urgente estar atento e proteger as crianças de tanta violência e falta de valores. Mas que essa protecção não seja equivalente a uma redoma de vidro mas sim a um conjunto de exemplos por parte dos adultos que os levem a descobrir o valor da solidariedade, da amizade, da protecção da natureza, da cidadania e, acima de tudo, do amor-próprio.
Como diz uma canção escutista "é urgente estar atento, ver para onde corre a maré, ver de onde sopra o vento, não vás tu perder o pé". Caso contrário, qualquer dia estaremos todos 'afogados' num mundo de racismo, indiferença e egoísmo.



face vigésima quarta/lado B - Arthur Charles Clarke (1917-2008)

Desde pequeno mostrou o seu fascínio pela astronomia, a ponto de, utilizando um telescópio caseiro, desenhar um mapa da Lua. Durante a Segunda Guerra Mundial, serviu na Royal Air Force como especialista em radares, envolvendo-se no desenvolvimento de um sistema de defesa por radar, sendo uma peça importante do êxito na batalha da Inglaterra. Depois, estudou Física e Matemática no King's College de Londres.
Talvez a sua contribuição de maior importância seja o conceito de satélite geoestacionário como futura ferramenta para desenvolver as telecomunicações. Ele propôs essa ideia num artigo científico intitulado "Can Rocket Stations Give Worldwide Radio Coverage?", publicado na revista Wireless World em Outubro de 1945. A órbita geoestacionária também é conhecida, desde então, como órbita Clarke.
Em 1956 mudou a sua residência para Colombo, no Sri Lanka, em parte devido a seu interesse pela fotografia e exploração submarina.
Teve dois de seus romances adaptados para cinema, 2001: Odisseia no Espaço, dirigido por Stanley Kubrick (1968) e 2010: O Ano do Contacto dirigido por Peter Hyams (1984), sendo o primeiro considerado um ícone tão importante da ficção científica mundial que especialistas lhe atribuem forte influência sobre a maioria dos filmes do gênero que lhe sucederam.
Também em reconhecimento a Clarke, o asteróide 4923 foi batizado com o seu nome, assim como uma espécie de dinossauro Ceratopsiano, o Serendipaceratops arthurclarkei, descoberto em Inverloch, Austrália.
Faleceu ontem, terça-feira, dia 18 de Março, na sua casa no Sri Lanka, com 90 anos, deixando três desejos: que o ET telefonasse, que o Homem deixasse o vício do petróleo e que a paz voltasse ao Sri Lanka.

1 comentário:

Anónimo disse...

Deixa-me adivinhar... como não falaste comigo o dia inteiro, estiveste a entreter o tempo a actualizar o blog?!?!?
Belas palavras, e que belos desejos por parte do Sir Clarke...
Bjs
S.