Não acredita? Então dê um salto à Farmácia Açoreana, no Largo Conde-Barão, avie uma caixa de pastilhas para a gargânta e fique a ouvir uma polonaise de Chopin, tocada pelo pianista Vera Prokic (essa mesma, a do cabelo cor de fogo, que se passeia por S. Bento ou no Bairro Alto, com o seu papagaio Mateo).
Hoje passei por lá à hora do almoço mas não era a Vera...
É uma das mais antigas farmácias de Lisboa, senão a mais antiga. Em 1867, já a farmácia Açoriana, sita no Largo Conde Barão, números 1 a 3, anunciava, no Almanaque Jardim do Povo - que apesar do nome popular, era um almanaque literário, dirigido pelo escritor romântico António Feliciano de Castilho -, ter em seu poder, "pós dentífricos, da receita particular que usava sua Magestade, a Srª D. Maria II".
São, pelo menos, 139 anos de história a cuidar da saúde da população de Santos, mas desde o início de setembro, após mais de dois meses de uma remodelação profunda, que triplicou a área das históricas instalações da farmácia, a Açoriana rejuvenesceu e oferece todas as segundas, quartas e sextas feiras, à hora de almoço (entre as 12h00 e as 13h30), concertos de piano totalmente gratuitos, pelas mãos da pianista jugoslava, Vera Prokic.
O rosto por detrás da transformação de uma farmácia que estava tão degradada como o largo onde se instalou há praticamente século e meio, é Carlos Quelhas, um jovem farmacêutico de 27 anos, natural da Guarda. O grande átrio de entrada da farmácia do Largo Conde Barão e a sua montra - uma área onde, antes das obras, funcionava toda a farmácia - são inteiramente dedicados à cultura. "Aqui, apesar das pressões e ofertas, não entra a indústria farmacêutica, apenas cultura", afirma, adiantando que a parede encarnada sangue que enquadra o piano de cauda branco que comprou para aviar receitas ao som de Chopin terá patentes várias exposições de pintura e fotografia.
PÚBLICO, 26 Set.06. Diana Ralha
Numa farmácia de Lisboa, enquanto se espera, pode tocar-se piano. A ideia foi posta em prática em 2006, por uma das mais antigas farmácias de Lisboa, a Açoriana. Não só tem um piano à disposição dos clientes como, em alguns dias da semana, promove pequenos recitais de jazz e música clássica. A jornalista Sofia Santos foi espreitar como reagem os clientes.
TSF, 18 Abr.07
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