segunda-feira, 28 de julho de 2008

face sexagésima quarta - Simplesmente desisto!

"O abandono escolar no ensino superior chega aos 11 por cento. Nos últimos anos, investigadores de diversas áreas tentam diagnosticar o problema e avançar com soluções para combater as desistências nas universidades."

É assim que começa a notícia hoje divulgada na TSF. E só me faz recordar algumas conversas e trocas de opinião que tenho tido ao longo de alguns anos sobre a questão do acesso ao ensino superior e se, de facto, todos devem tirar um curso superior.
Não quero com isto dizer que o acesso ao ensino superior não seja um direito de todos, antes pelo contrário, mas neste caso sempre acreditei que cada um tem o seu lugar (diriam alguns 'uma missão') nesta vida, e se assim não for perderemos todo um conjunto de bons profissionais nas mais diversas áreas (se já não perdemos!).
E não é preciso procurar muito para encontrar exemplos disso, basta olhar à nossa volta para, no nosso dia-a-dia, encontrar situações de falta de profissionalismo nos serviços que todos usamos (é o empregado do café, a rapariga da loja, o pintor ou canalizador que faz biscates, etc.).
Antigamente existiam as escolas profissionais (de comércio, de administração, etc.) que formavam e passavam as carteiras profissionais a quem sabia do ofício. Era mão de obra especializada e formada nas diversas áreas. Para além destas áreas de serviço havia ainda um grande grupo de outros profissionais que se formavam junto dos mestres de ofícios, como os sapateiros, os canalizadores, os ferreiros, etc. Nem todos iam para a universidade! É claro que nessa altura nem todos tinha essa possibilidade e por isso o 'canudo' era apenas para alguns.
Hoje o acesso está mais fácil e uma licenciatura tornou-se algo banal na vida dos jovens, o que é positivo e evidencia um crescimento nas sociedades. No entanto, perdemos os calceteiros, os sapateiros, os canalizadores, os empregados de balção e de mesa... um sem número de profissionais que sabiam do seu ofício. Em seu lugar temos pessoas sem essa formação que aceitam qualquer emprego em troca de uma parca remuneração.
Porque lido com jovens numa vertente educativa, esta questão é para mim fundamental! Não basta apenas 'dar a cana de pesca se não ensinarmos o homem a pescar'... e aqui a 'cana de pesca' pode ser todo um conjunto de formação académica, civil e humana, com a qual cada cidadão deverá aprender a 'pescar'.
E porque nem todos nascemos para ser engenheiros, arquitectos, médicos e outras profissões 'maiores' que enchem os cartões de visita com 'caganças', há que salvaguardar as profissões tão ou mais importantes sem as quais a nossa qualidade de vida se degrada cada vez mais.
Se continuarmos a insistir que TODOS os nossos jovens devem ser DOUTORES, teremos no futuro (próximo) uma sociedade de frustrados, desempregados e andaremos em ruas por calcetar, com os sapatos rotos e servidos por empregados que não sabem do seu ofício mal humorados! Portanto, não nos admiremos que o aumento do abandono universitário seja cada vez maior!

Sem comentários: